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terça-feira, 17 de abril de 2012

Cavalcante: cachoeiras e galinha caipira em companhia dos Kalunga

Os muros de adobe do restaurante. O teto é de palha de Buriti

Voltamos pra vila depois de algumas horas de caminhada e braçadas em águas translúcidas. Encontramos  uma comidinha caseira esperando. Um luxo oferecido por um restaurante Kalunga. A comunidade Engenho II, que fica a 25km de Cavalcante, em Goiás, está organizada para receber os turistas.  E eles recebem muito bem quem aparece por lá. Antes de seguir pelas trilhas, encomendamos o almoço em um restaurante nativo, indicado pelo guia Emiliano.

No mirante: Emiliano e os causos dos Kalunga

Quando chegamos famintos, demos de cara com um grupo de quinze pessoas, barulhentas e também famintas, já instaladas nas mesas. "Dançamos!", pensei. Mas tinha uma outra mesa grande reservada pra nós e a nossa comida não demorou a sair. Fomos até uma choupana que vende cerveja e refris e a cerveja gelada reduziu a peleja da espera. O seu Emiliano foi quem levou a gente na lanchonete, onde tínhamos parado antes de descer para a cachoeira. "Ele vai tratar de negócios", disse um dos nossos, explicando porque paramos por ali. "Negócios" era pegar um trago de pinga feita lá mesmo.

Emiliano tomava seu segundo copo de pinga enquanto esperava o almoço com a gente. A maioria dos pratos é preparada com alimentos orgânicos, produzidos ali mesmo na comunidade: arroz, feijão, mandioca e galinha caipira.  A refeição custa R$ 20,00 por pessoa e eles continuam servindo até que todos estejam satisfeitos.


 O arroz é produzido na comunidade
 Abóbora refogada
 Comida simples e deliciosa
E a estrela do almoço: galinha caipira, de terreiro Kalunga


Os Kalunga estavam preparando um grande churrasco no segundo dia que estivemos lá. Estavam todos empenhados nos preparativos. Mataram um boi e a movimentação tinha começado cedo. Mesmo assim,  não deixaram os turistas na mão. Nós chegamos por volta do meio-dia e a chance de encontrar um guia disponível a essa hora é pequena. Mas as meninas que ficam na recepção nos levaram até onde um grupo preparava a carne. Logo veio a nossa guia Maria, que largou os afazeres e sorridente nos atendeu. Largou tudo pra seguir com a gente numa trilha de 4km, debaixo daquele sol escaldante.

 Guarda-sol pra enfrentar a trilha

Na comunidade Kalunga do Engenho II moram cerca de 150 famílias, mais ou menos 500 pessoas.  Grande parte dos moradores vive de atividades de subsistência. A renda extra vem do fluxo de turistas que visitam o território.

 Kalungas preparando a carne do churrasco
Casa de um Kalunga. À esquerda, pilão de madeira

Os Kalunga têm a tradição de construir casas de adobe.  São bem simples e rústicos. Nos receberam com humildade e presteza, muito melhor do que já fomos recebidos em lugares com mais pompa e estrutura.

No fim da tarde, quando voltamos do passeio, eu disse pra Maria: "Adorei o seu quintal. Muito bonito". Maria deu um largo sorriso. Parecia orgulhosa das terras de horizonte amplo, com cachoeiras escondidas. Ela nos convidou para a festa de Santo Antônio, que a comunidade comemora todo ano. Maria é a responsável pela festa. Ficamos felizes com o convite e pensamos em voltar.


O território conta com uma escola e uma unidade de saúde. As festividades católicas e sincréticas são importantes para a comunidade. Dias santos são muito festejados.  Quando estávamos voltando pra Cavalcante, vimos muita gente subir a estrada pra comunidade Kalunga. Muitos à pé, enfrentando a nuvem de poeira. Maris nos contou que neste dia, sábado de Aleluia, alguns homens jogavam futebol vestidos de mulher. Depois, no início da noite, era hora de aproveitar o churrasco. 

Links relacionados:

Cavalcante: uma alternativa para quem quer conhecer a Chapada:  http://conversanamesa.blogspot.com.br/2012/04/cavalcante-uma-alternativa-para-quem.html 

Cavalcante: um dia no território Kalunga

 


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